ONGs contestam números divulgados pelo governo da Venezuela sob libertação de presos políticos

Governo da Venezuela diz ter libertado 400 presos; oposição e ONGs contestam números

CARACAS — O presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Jorge Rodríguez, anunciou na noite de terça-feira (13) que mais de 400 pessoas foram libertadas de prisões no país como parte de um processo que o governo venezuelano apresenta como um gesto de paz e distensão política.

Segundo Rodríguez, as liberações incluem detentos considerados “políticos” pela oposição e ocorreram ao longo dos últimos meses, com parte deles saindo de prisões desde dezembro de 2024. O presidente do Legislativo afirmou que o objetivo da ação é “promover a convivência pacífica e a unidade nacional” em um contexto de crise política e mudanças no cenário de poder.

No entanto, a versão oficial enfrenta forte contestação da oposição e de organizações não governamentais. Grupos de direitos humanos e monitoramento de prisões alegam que o número real de libertados é significativamente menor do que o divulgado pelo governo. Estimativas independentes situam o total de libertações recentes entre 60 e 80 pessoas desde o início da semana, com ONGs como o Foro Penal relatando apenas cerca de 56 confirmações.

Representantes da oposição venezuelana, incluindo a líder política María Corina Machado, têm exigido a divulgação imediata de uma lista oficial com os nomes dos detentos libertados, criticando a falta de transparência das autoridades. Segundo a Plataforma Unitária Democrática, aliança de partidos oposicionistas, a discrepância entre as cifras oficiais e as verificadas por organizações sociais evidencia uma tentativa do governo de inflar os números.

Organizações de direitos humanos também destacam que mais de 800 pessoas consideradas presas políticas ainda permanecem encarceradas, de acordo com cálculos de grupos civis que acompanham detenções por motivos políticos no país. Essas entidades criticam o ritmo lento do processo de libertação e sublinham a falta de acesso público às informações sobre as condições em que permaneciam os detentos e os critérios usados para suas solturas.

A polêmica sobre as libertações ocorre em um momento de tensão política pós-eleitoral na Venezuela, em que pedidos de anistia, intervenção internacional e revisões de casos de detenção ganharam protagonismo tanto no debate interno quanto nas relações com aliados e adversários externos.

Deputados da oposição afirmam que as libertações anunciadas não correspondem ao que é considerado uma “libertação em massa”, como exigido por seus apoiadores, e ressaltam que a permanência de centenas de detidos é um obstáculo à confiança e à paz social no país.

Enquanto isso, famílias de presos aguardam desfechos e detalhes oficiais, à medida que a disputa sobre os números e a legitimidade das ações governamentais prossegue no centro do debate político venezuelano.

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