TEERÃ — O governo do Irã afirmou que poderá atacar bases militares dos Estados Unidos no Oriente Médio caso Washington intervenha diretamente nos protestos que se espalham pelo país. A advertência, feita por autoridades iranianas a governos da região, eleva o nível de tensão entre Teerã e Washington e reacende o temor de um conflito de maiores proporções no Oriente Médio.
Segundo fontes diplomáticas, o Irã comunicou a países que abrigam tropas norte-americanas — como Catar, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Turquia — que essas instalações seriam consideradas alvos legítimos se os EUA realizarem qualquer ação militar ou intervenção direta sob o pretexto de proteger manifestantes ou pressionar o regime iraniano.
Autoridades iranianas acusam Washington de estimular a instabilidade interna, ao condenar publicamente a repressão aos protestos e ao sinalizar possíveis medidas contra o governo iraniano. Para Teerã, tais declarações configuram ingerência externa e violação da soberania nacional.
Bases em alerta e movimentações militares
Em meio às ameaças, fontes de segurança indicam que os Estados Unidos adotaram medidas preventivas em algumas de suas principais instalações militares na região. Entre elas está a Base Aérea de Al Udeid, no Catar, considerada um centro estratégico das operações americanas no Oriente Médio. Parte do pessoal teria sido orientada a deixar o local temporariamente, como precaução diante da escalada retórica.
Embora o Pentágono não tenha confirmado uma retirada ampla de tropas, o aumento do nível de alerta reflete a preocupação com possíveis retaliações iranianas, especialmente por meio de mísseis ou ataques indiretos realizados por aliados regionais de Teerã.
Protestos internos e repressão
Os protestos no Irã tiveram início em meio a uma combinação de crise econômica, inflação elevada, desemprego e descontentamento político, evoluindo rapidamente para manifestações contra o regime islâmico. Organizações independentes de direitos humanos relatam milhares de mortos e dezenas de milhares de detenções desde o início da repressão.
O governo iraniano afirma que enfrenta atos de vandalismo e conspirações estrangeiras, enquanto críticos sustentam que as forças de segurança têm recorrido ao uso excessivo da força para conter manifestações majoritariamente pacíficas.
Linha do tempo dos principais acontecimentos
- Dezembro: eclosão dos primeiros protestos em grandes cidades iranianas, motivados por dificuldades econômicas.
- Semanas seguintes: manifestações se espalham pelo país e passam a questionar diretamente a liderança política e religiosa.
- Repressão: forças de segurança intensificam prisões e uso da força, gerando condenações internacionais.
- Reação dos EUA: autoridades norte-americanas criticam publicamente o governo iraniano e sinalizam possíveis sanções adicionais.
- Advertência de Teerã: Irã ameaça atacar bases dos EUA caso haja intervenção direta nos protestos.
Análise de especialistas
Analistas em segurança internacional avaliam que a ameaça iraniana busca dissuadir qualquer ação militar dos Estados Unidos, ao deixar claro que um ataque ao Irã poderia desencadear uma resposta regional imediata. Segundo especialistas, Teerã aposta em sua capacidade de atingir alvos americanos próximos, evitando um confronto direto em território iraniano.
Para observadores políticos, o discurso externo também cumpre uma função interna: unificar setores do regime e da população diante de um inimigo externo, em um momento de fragilidade doméstica.
Impactos geopolíticos
A escalada verbal entre Irã e Estados Unidos preocupa aliados de Washington no Oriente Médio, que temem ser arrastados para um conflito não desejado. Países que sediam bases americanas buscam manter um equilíbrio diplomático delicado, evitando confrontos diretos com Teerã enquanto preservam suas alianças estratégicas com os EUA.
Especialistas alertam que qualquer incidente envolvendo bases militares poderia desencadear uma reação em cadeia, afetando rotas comerciais, o mercado global de energia e a estabilidade regional.
Enquanto os protestos continuam no Irã, a comunidade internacional acompanha com atenção os desdobramentos, temendo que a crise interna do país se transforme em mais um foco de conflito aberto no já instável Oriente Médio.
