Brasília – Um fundo de investimento vinculado a familiares do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli encerrou suas atividades no fim de 2025 e repassou cerca de R$ 33,9 milhões em ativos para uma empresa offshore registrada nas Ilhas Virgens Britânicas, território considerado paraíso fiscal devido ao elevado nível de sigilo societário. A movimentação financeira tem sido alvo de atenção de analistas de mercado e órgãos de fiscalização, que questionam a transparência do processo.
O fundo em questão, Arleen Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia, administrado pela gestora Reag Trust, havia adquirido, em 2021, cerca de R$ 20 milhões em ações do resort Tayayá, localizado no interior do Paraná, empreendimento no qual irmãos do ministro Toffoli estavam envolvidos como sócios.
A liquidação do Arleen foi decidida em assembleia em 5 de novembro de 2025, quando os ativos foram inicialmente transferidos à offshore Egide I Holding, avaliada naquele momento em cerca de R$ 11,5 milhões por meio da emissão de cotas. Um mês depois, em 4 de dezembro, a administração do fundo aprovou uma valorização extraordinária no valor das cotas — quase 45 000 % — elevando o montante total transferido para cerca de R$ 33,9 milhões.
Após essa valorização, 100 % dos recursos do fundo passaram a ser administrados pela offshore sediada nas Ilhas Virgens Britânicas, país com rígido sigilo sobre controladores de empresas registradas no território. Isso dificulta, segundo especialistas, a identificação de quem são os beneficiários finais dos recursos.
A operação ocorre em um contexto mais amplo de investigação da Polícia Federal e de questionamentos sobre a atuação da Reag e de fundos associados, em especial no âmbito da Operação Carbono Oculto e de casos relacionados ao Banco Master, envolvendo possíveis irregularidades financeiras e lavagem de dinheiro.
Até o momento, não houve manifestação pública de Toffoli, de seus familiares ou da gestora Reag sobre a transação. Autoridades regulatórias, como a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), também não divulgaram conclusões definitivas a respeito da transferência ou de eventuais irregularidades.
A transferência de recursos para paraísos fiscais e a valorização abrupta dos ativos levantam debates sobre transparência no mercado de capitais, possíveis brechas regulatórias e a necessidade de mecanismos mais rígidos de fiscalização e accountability, especialmente quando envolvem figuras públicas ou seus círculos familiares.
Em textos e comentários publicados em colunas de opinião, Dallagnol acusa Toffoli de agir de maneira que enfraquece a credibilidade do Supremo e do sistema de Justiça brasileiro, ampliando o que ele vê como interferências indevidas em investigações e decisões judiciais.
Veja o vídeo em que Dallagnol fala sobre o caso
