O reajuste entra em vigor dia 1º de maio
Caracas, 9 de abril de 2026 – A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciou que o governo promoverá um “aumento responsável” na renda dos trabalhadores a partir de 1º de maio, sem, contudo, detalhar o percentual ou os valores do reajuste.
A medida ocorre em um contexto de forte deterioração do poder de compra da população e de crescente pressão social por melhores condições salariais.
Salários congelados e perda de poder de compra
O salário mínimo venezuelano permanece congelado em 130 bolívares mensais desde março de 2022, valor que equivale a apenas alguns centavos de dólar.
Embora parte dos trabalhadores, especialmente do setor público, receba complementos por meio de bônus estatais, a renda total costuma alcançar cerca de US$ 150 mensais, ainda muito abaixo do necessário para cobrir despesas básicas.
Estimativas recentes indicam que o custo mensal de alimentação de uma família pode ultrapassar US$ 600, evidenciando a profundidade da crise social.
Estratégia econômica: petróleo, mineração e cautela inflacionária
Segundo Rodríguez, o reajuste salarial será conduzido de forma gradual e responsável, levando em conta os impactos sobre a inflação e a sustentabilidade econômica.
A presidente afirmou que a recuperação da renda dependerá principalmente do crescimento produtivo nos setores de hidrocarbonetos e mineração, considerados estratégicos para gerar receitas rápidas.
“Nossa meta […] é restaurar de forma constante e gradual a renda dos trabalhadores”, declarou em pronunciamento na televisão estatal.
Além disso, o governo pretende ampliar a atração de investimentos estrangeiros e estabelecer uma comissão para definir ativos estratégicos do Estado, mantendo o controle sobre a estatal petrolífera PDVSA.
Pressão social e protestos
O anúncio ocorre após semanas de protestos de trabalhadores e aposentados, que denunciam salários “de fome” e exigem reajustes urgentes.
Sindicatos e organizações sociais avaliam que a medida, sem definição clara de valores, pode ser insuficiente diante da crise prolongada.
A própria presidente reconheceu falhas na política econômica passada, incluindo os efeitos da hiperinflação, do desabastecimento e da queda do poder aquisitivo da população.
Contexto político e internacional
A atual gestão venezuelana ocorre após a captura do ex-presidente Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos no início de 2026, o que desencadeou uma reconfiguração política no país.
Desde então, o governo interino tem buscado melhorar as relações internacionais, especialmente com Washington, ao mesmo tempo em que pede o fim das sanções econômicas impostas ao país.
Perspectivas
O reajuste anunciado para maio será o primeiro em anos e pode representar um passo inicial na tentativa de recuperação da renda dos venezuelanos. No entanto, especialistas apontam que, sem controle efetivo da inflação e crescimento econômico consistente, aumentos salariais tendem a ter impacto limitado no bem-estar da população.
